O Que "Com Amor, Simon" Me Fez Sentir

Esse filme me destruiu de tantas formas...

Se você tem pelo menos um dedo no meio LGBT, você já deve ter ouvido falar do filme "Com Amor, Simon", que está causando uma verdadeira comoção no Vale, e inundando os anúncios de sites, blogs e canais do YouTube voltado para este público.
Caso você more dentro da igreja Universal e não teve acesso a essa informação, vou contar brevemente sobre o filme: A história gira em torno de um adolescente americano prestes a se formar, e que nunca contou a ninguém sobre sua verdadeira sexualidade; e depois de ele começar a trocar emails anônimos com um outro rapaz encubado da sua escola, seu segredo acaba nas mãos do palhaço da turma. 
E, nossa, eu nem sei por onde começar...
Talvez eu dê algum spoiler sem querer aqui; então se você ainda não viu o filme, cuidado com o que está lendo.

Eu fui assistir com um carinha especial, mas isso não diminuiu os sentimentos que me inundaram durante e após; e posteriormente eu soube que nem à ele...
O filme é como se fosse um romance adolescente - daqueles que existem aos montes por aí -, só que com o fator 'gay'. E eu acho que muitos gays, principalmente os nascidos antes dos anos 2000, uma época em que a internet dava os primeiros passos e muitos de nós que se escondiam nas próprias vidas, conseguiam uma janela para um mundo exterior com pessoas iguais a nós.

Existe todo um clima de aceitação por rolando no filme todo, pois ele tem medo de não ser aceito pela família, pelos amigos, e pelo rapaz que ele se apaixonou online mas que ele nem faz ideia de quem seja.
É claro que tudo deu certo, pois é um romance. Eu, particularmente, não sou muito fã de filmes de romances, por que a maioria esmagadora deles vende uma fantasia que não acontece em nenhuma vida real. O que eles fazem em vender contos de fadas.
E, me desculpem, mas eu senti isso com esse filme.

Não me entendam mal, eu achei o filme bom, divertidíssimo, com muitas partes tocantes que me arrancaram muitas lágrimas no cinema, e até depois dele.
No dia seguinte ao filme eu estava em casa, refletindo sobre tudo que foi mostrado nele, e eu só queria que todos saíssem para que eu pudesse chorar. E eu consegui: comecei a chorar lavando a louça. Poderia fazer uma piada dizendo que lavei a louça com minhas lágrimas, mas eu não estou afim de ser esse tipo de vadia hoje...

Fato é que esse filme, além de vender um conto de fadas que todo adolescente gay já teve, vende uma esperança. Por que a vida que aquele garoto teve no filme, é a vida que todo rapaz gay sonha para ele: amigos que te apoiem, família que lhe ame incondicionalmente, e a cereja do bolo, um rapaz bonito e gente boa que te complete.
Vai dizer que esse não era seu sonho quando você era mais novo, e, me atrevo a dizer, mais inocente? Alguns talvez até hoje esperem que isso vire realidade; e do fundo do meu coração, e eu espero que vire pra cada um de nós parte da comunidade LGBT. Por que eu sinceramente acho que nós merecemos, acima de tudo.

Mas, a triste verdade, é que a maioria de nós, principalmente nesse buraco de cocô que é o Brasil, vive uma realidade muito, mais muito, mais dura que a pregada pelo filme. 
Enquanto eu discutia essas idéias que estou dissertando aqui com um amigo meu, ele disse para mim que estava cansado de ver filme gay retratando tragédias. Famílias que não apoiam, desilusão amorosa, preconceito fora e dentro do meio, etc.. Segundo ele, filmes gays ou são de comedia, ou são esses melodramas.
Só que eu acho que, infelizmente de novo, esses filmes estão mais próximos da realidade. Então eu consigo me identificar mais com esses, do que com "Simon". Ele chega até abordar algumas partes com um preconceito mais definido, mas, como esperado, tudo se resolve no fim.
Esses filmes de "tragédia" são a vida que eu levo, "Simon" é a vida que eu queria levar. Um sonho de um rapaz gay que só quer ser feliz, aceito e respeitado, assim como eu acredito que seja o seu, não importa quem você seja.

Enfim, como esse filme foi um retrato cinematográfico da vida perfeita de um gay, inclusive fazendo algumas alfinetadas a problemas que nós gays passamos com a família principalmente que me fizeram rir de nervoso, por que o teor era comédia, mas a tensão é real e palpável; ele trouxe à tona algumas emoções. Não que eu fiquei triste, mas eu sentia uma agonia no peito que só seria lavada se eu chorasse, e eu chorei.
E felizmente o mesmo cara que foi comigo ao cinema me ajudou a superar esse lado mais dark dos sentimentos que o filme me deu, e sou grato a ele por isso.

Depois de eu dizer tudo isso, parece que eu odiei o filme e não o recomendo. Mas pelo contrário. Primeiro que minhas peludas opiniões são apenas minhas, e inclusive convido você a deixar a suas sobre esse filme nos comentários da postagem, para eu saber se alguém mais partilhou desses sentimentos dúbios como eu, ou não. 
Segundo que o filme é legal; como eu disse, é um romance adolescente gay, então não espere coisas muito complexas ou profundas. Mas reflete bem e com bom humor a vida de um garoto jovem e gay que muitos podem se identificar, e com aquela pitada de fantasia perfeccionista que ás vezes nós precisamos.

Se você já viu o filme, espero seus comentários sobre; fico muito curioso sobre como cada um reage a ele.
E espero que nossos sonhos e esperanças um dia sejam reais para todos e cada um de nós.


Até outro dia, meus peludinhos.
Abraços de urso! <3


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