'Põe na Roda' a Segregação Velada


Eu quero começar dizendo que de nenhuma forma eu quero usar dos nomes aqui citados para conseguir visibilidade, sucesso, etc. Eu apenas quero mostrar meu ponto de vista e o que eu sinto acerca de algo que envolve essas pessoas, canais, etc. Se for para eu alcançar visibilidade e sucesso, quero que seja pelo que eu faço, e não usando outras pessoas como degraus – como uns e outros fazem...
Enfim, vamos falar sobre isso.

Quando eu comecei a ter um contato mais forte com o YouTube, o canal ‘Põe na Roda’ foi, se não me engano, o primeiro canal gay que eu me inscrevi. Com certeza muitos de vocês já os conhecem, ele é, se não me engano de novo, o maior canal com temática LGBT do Brasil.
Eles prometem tratar de assuntos LGBT’s, com informação, entretenimento e representatividade. Mas será...?
Eu recentemente resolvi me desinscrever do ‘Põe na Roda’; o motivo é que simplesmente eu não consigo mais me identificar com o conteúdo, e pra ser sincero, eu ás vezes me sentia mal vendo alguns vídeos deles.

Então eu comecei a analisar comigo mesmo o porque de eu me sentir assim em relação ao maior canal do Vale no YouTube Brasil, que deveria ser um Oásis de representatividade pras manas. Então eu fui pensando, e lembrando de algumas coisas que eu já ouvi outras pessoas (amigos meus e outros youtubers) falando, e acho que cheguei a uma conclusão.

A mim parece que nosso Oásis de representatividade é bem segregacionista;
Para começar, eu comecei a notar que o canal é, como comumente vemos na internet, um canal da sigla “GGGG”, ou seja, é como se o mundo LGBT girasse apenas em torno dos gays.

Esse fato inclusive é bem ressaltado em vários comentários de vídeos do canal e em outras mídias; e certa vez, Pedro HMC, o dono do canal, justificou dizendo que tem mais vídeo de temática gay do que de outros porque é um assunto que ele tem mais contato, por ser gay.
Eu só acho que quando nós nos propusermos a falar sobre uma militância que envolve muito mais que gays, que é o que eles pregam, os esforços para fazer isso devem ser máximos. Talvez até agregando pessoas das outras siglas ao elenco fixo do canal, para opinar, dar ideias de pautas, etc.
Uma coisa é blog como este meu, de experiências pessoais, e que eu deixo bem claro que é sobre experiências e pensamentos meus, um rapaz gay, gordinho e peludo. Outra coisa é você dizer que o canal é LGBT, ou seja, de lésbicas, bissexuais e trans, também, é ter uma quantidade absurdamente menor de vídeos com essas temáticas, ou até com pessoas que representem essas letras.

Falando em representatividade, e agora focando na nossa letra G – que ao que parece é o único foco do canal também, as outras letras fazem participações especiais periódicas -, vou falar sobre representatividade de corpo sim!
Acho que uma das maiores lutas da comunidade gay, em específico, não está lá fora, com as pessoas que não fazem parte do movimento, e sim com os próprios integrantes dele. Eu já falei aqui no blog sobre os problemas e preconceitos de gays contra outros gays que fogem do “padrão” – que eu digo com firmeza, é muito mais imposto e tem mais força que os padrões dos héteros -, e o canal ‘Põe na Roda’, é um grande propagador desse padrão. Mostrando em praticamente todo vídeo (TODO vídeo!) homens com corpos sarados, malhados, cabelos “bonitos”, com pinta “de macho”. Não queria dizer que muitos eram brancos, mas, sim, eram sim.
Nas poucas vezes que aparece alguém que foge desse padrão é somente em dois tipos de vídeo: ou de superação, contando uma história de vida etc. – que eu devo admitir é até legal; ou é num vídeo puramente cômico.
E, desculpa, mas não, representatividade não é isso. As pessoas se espelham nas mídias que veem, e o YouTube, atualmente, é uma das mídias mais vistas no Brasil. Então para algum menino novo, gay e gordinho, assistindo seu canal, se ver representado importa muito. Mas ao invés disso ele só vê corpos sarados, caras com a pele tratada com produtos caríssimos, cabelo com o corte da moda, etc. Vocês sabem o que isso faz com a autoestima da pessoa? Ainda mais para alguém que sendo gay pode passar por vários preconceitos?
É uma luta dura e diária, e infelizmente, nem todos aguentam.

Algumas pessoas podem justificar essa amostragem de corpos “perfeitos” e homens “bonitos” como sendo um chamariz, por que “gay gosta de ver homem gostoso”.
Sério? É essa justificativa que vão me dar?
Saiba que isso só faz pesar mais a conta deles. Esse é artificio baixo de chamariz e apelação.
O que aliás eles têm feito muito, com fotos de homens sem camisa, seminus – isso inclusive em thumbs de vídeo – deixando link de bundas de artistas na descrição do vídeo... Se isso não é apelação extrema, eu não sei o que é...
Não vejo nenhuma diferença entre isso, e o falecido ‘Pânico na Band’, que mostrava garotas nuas apenas com um blur no bico do peito fazendo um clipe sensual. Não estou dizendo que eles podiam porque era uma mulher; na verdade, quero dizer que ambos estão errados.
Ainda mais, falando do ‘Põe na Roda’, um canal de informação, comédia e representatividade? Apelando para corpos seminus? Acho que se focassem mais no conteúdo dos vídeos ao invés de gravar três homens de sunga numa banheira, não precisariam ficar apelando. Quando o conteúdo é bom, não precisa de chamariz baixo.

Eu demorei um tempo para notar isso tudo, mas eu finalmente percebi o porque aquele canal me fazia mal. Eu me tornei uma pessoa que se importa muito com TODO tipo de representatividade - principalmente quando um veículo se auto intitula defensor dessa mesma causa – e aquele canal estava ferindo meus princípios e minha autoestima.
Se eu quiser ver homens sarados seminus eu vou no Xvideos, que inclusive eles tiram a roupa e fazem alguma coisa;
Para mim o ‘Põe na Roda’ falhou na missão de ser representativo; nem com os gays, que o foco do canal – apesar de dizerem que não –, eles conseguiram representar propriamente. Então para mim, o canal só transmite uma segregação velada; eles tanto falam que transmitem uma mensagem de inclusão, mas estão ajudando a separar as pessoas que deviam estar unidas numa luta. O Pedro algumas vezes tenta dar o chamado “close certo”, que é mostrar alguma conscientização, uma história de superação, ensinar alguma coisa para as pessoas; mas depois de tudo isso, eu não sei se eles realmente está engajado, ou se simplesmente faz tudo isso só para ficar de bonzinho na internet e/ou conseguir um pouco mais de visibilidade.

Bom, essa foi minha experiência com o canal e o que eu penso deles, mas cabe somente a você decidir o tipo de conteúdo que você consome.
Há muitos outros canais de entretenimento, experiências de vida e informação voltados para o público LGBT (sim, todas as letras) no YouTube. Sem apelo sexual, e alguns são BEM maiores que o ‘Põe na Roda’ – o que reforça minha ideia que conteúdo pesa mais que peitoral de academia.
Então, se você concordar comigo, procure e apoie esses criadores de conteúdo – foco na palavra “conteúdo” -, e não apoie pessoas que usam de artifícios baixos e o nome de lutas sérias em vão para poder fazer fama e conseguir coisas.

E é isso que eu tenho para dizer por hoje. Deixa aqui em baixo nos comentários o que você pensa sobre o que eu falei e sobre o canal em si; sempre estou aberto a debates.



Até outro dia, meus peludinhos.
Abraços de urso! <3


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